segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Loja do Cidadão e o Cartão de Cidadão no dia seguinte!

As Lojas de Cidadão e afins estão a recrutar tarefeiros, a recibo verde ou outra cor qualquer, desde que descontem, a fim de garantirem bom nível de serviço.

A urgência deste recrutamento deve-se ao facto de, desde a meia-noite de ontem, 23 de janeiro de 2011, se terem formado longas filas de portugueses e portuguesas para adquirirem o respectivo CARTÃO DE CIDADÃO.

Segundo algumas pessoas, estavam ali para obter o seu cartão de cidadão por "não quererem comprometer-se com mais palhaçadas destas e quererem passar o seu dia de descanso sem terem de cumprir essa coisa de “direito cívico” e clamavam por igualdade de direitos.

Na Loja do Cidadão de Belém, onde a Dona Maria acabava de endireitar o nó da gravata do Senhor Aníbal, chefe da repartição, ocorreram algumas manifestações onde se podiam ouvir as seguintes palavras de ordem:
-“Queremos fazer parte dos 54%”

Ou

- “Hoje são 54%, amanhã seremos 100%”

Na sequência desta manifestação, a PSP fez deslocar para o local um contingente de agentes da autoridade, munidos de algemas de uso duvidoso (não, não é o que pensam…é daquelas que não fecham ou, se fecham, toda a gente abre).

No comando deste contingente estava o subchefe Defensor que, por não estar a chover, não se importou de sair à rua.
No rio Tejo estava, MUITO BEM ancorado, antes que afundasse, um “daqueles” submarinos.

Em cima dele, submarino, com colete de salva-vidas e cravo à lapela, estava um ex-poeta/ex-deputado/ex-candidato/ex-ex, que declamava, não muito Alegre, virado para o estuário de Tejo:

Ó BPN, BPN
Ó BPN das acções
Ó BPN, BPN
Não me safaste nas eleições

Do lado de lá do rio, no topo do Cristo-Rei, o electricista Lopes, ajudado pelo que parecia ser o índio Jerónimo (estavam longe…) iam trocando as lâmpadas da cabeça da estátua e davam conta de mais uma estrondosa vitória daqueles que têm cartão de cidadão, os tais 54%, mais uns quantos que não têm cartão mas nunca se importam de sair de casa…”assim como assim, sempre se dá uma volta, porra”,... mais ou menos 8%.
Consta que o Cristo-Rei ficou com dores de cabeça.
Estavam com alguma pressa porque ainda iam substituir as lâmpadas da ponte Salazar, perdão, 25 de Abril, perdão, PONTE SOBRE O TEJO, PORRA!
Lá dos lados dos pasteis de Belém…hhhmmm com muita canela e açúcar sff… descotinou-se o que pareciam ser os tanques anti-motin-anti-nato.
Nesse momento fez-se silêncio…

- A Dona Maria disse qualquer coisa ao ouvido do Senhor Anibal, ao mesmo tempo que lhe limpava as beiças do pastel de nata do pequeno-almoço.

- O subchefe Defensor abriu de imediato o chapéu de chuva…
- O ex-ex, ex-ex… aproveitou e, antes que “aquele” submarino afundasse, saltou para a margem e correu para o que se pensava ser os tanques anti-motin-anti-nato, distribuindo cravos, Alegremente, e gritando “abaixo o cartão de cidadão e viva o BPP” (!?).

- Uma galinha corre desalmada por entre a multidão, fugindo de um Nobre empurrado por um Mário, “mon AMI”.

O Nobre aguenta-se e ainda aproveita a oportunidade para agradecer aos que estão na fila e pedir-lhes que não queiram cartão de cidadão.

Mário aproveita para, de fininho, sair da cena.

Entretanto os tanques anti-motin-anti-nato, não eram mais que autocarros de turistas.

Pararam em frente à Loja e de lá saíu uma molhada de chineses que perguntavam insistentemente:

- “onde podemos complal divida publica poltuguesa?”

Do meio de uma enorme confusão…os poltugueses a tental falal mandalim,…os chineses a tental complal a divida, de “souvenil”…...o condutor do autocarro de turistas aparece com se fosse um Coelho a sair de uma cartola.
Pendurado numa coleira trazia um Jardim murcho.

Passeou-se por ali, chamou uns quantos chineses e portugueses para o lado dele, tirou umas fotografias e umas fotoglafias e desapareceu com o autocarro, directamente para o aeroporto, depois de ter dito aos chinocas…”a Madeila é um jaldim”.…

Depois disto:

- a fila de pretendentes ao Cartão de Cidadão aumentou substancialmente

- as Lojas de Cidadão continuam à procura de tarefeiros…a recibo verde

- Portugal…continua!

sábado, 1 de janeiro de 2011

2011 Primeiras Horas

Já lá vão 3 horas deste novo ano que dá pelo nome de 2011.
3 horas passadas calmamente com o pensamento divagar sobre a razão dos festejos de cada novo ano.
Mas...para quê pensar nisto? Vou mas é festejar este inicio de ano novo e depois logo se vê.
Obrigado minha querida por estares aqui, ao meu lado.
Feliz Ano Novo.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pois...

...passeava-me por esta Lisboa que eu amo ( e neste momento ouve-se: “Nesta Lisboa que eu amo”... http://www.youtube.com/watch?v=YBviV8F4OeI ), aproveitando as tréguas que a chuva ia fazendo, quando em pleno Chiado fui apanhado momentaneamente por um raio de Sol que espreitava por detrás das nuvens...sim, um pouco timido mas, Sol é Sol e há que aproveitá-lo.

Pois...

...não me fiz rogado e procurei de imediato um lugar naquela extraordinária esplanada da Brasileira do Chiado, ali onde o Fernando Pessoa, na sua versão de bronze, passa os seus dias posando para e com os turistas.


Pois...


...esses turistas que enchem as nossas esplandas aproveitando o nosso inverno como se de verão se tratasse, lá deixaram uma mesa vazia que eu me apressei a ocupar...feito turista!!!


Pois...


...óculos escuros na cara, cachecol ao pescoço, “bjeka” na mão e...gozar esta nesga de Sol. Perfeito! Afino os meus ouvidos, feito cusco, e tentando perceber aquela amálgama de idiomas à minha volta ouço falar em...Português!!! Coisa estranha!!!


Pois...

...Ali, na esplanada da Brasileira do Chiado havia quem falasse português além dos empregados, de mim e claro está, do “bronzeado” Fernando Pessoa que, por estranho que pareça, estava mudo e quedo, quiça admirado pelo aparecimento deste raio de Sol...mas dizia eu, havia mais quem falasse português.

Pois...

...na mesa mesmo atrás de mim estavam um jovem e um senhor de idade avançada. O senhor idoso, com um ar abatido mas com uma face calma de quem tem o dever cumprido, de uma vida cheia de momentos... aconselhava o jovem que falava entusiasticamente do futuro próximo, do próximo ano já a bater à porta, do que iria fazer logo ao primeiro minuto...

Pois...

...o idoso falava-lhe da experiência dos muitos dias vividos, dos maus momentos que passou mas que alguns lhe serviram de aprendizagem... outros, nem por isso de tão maus que foram mas, seguramente, os momentos bons ajudaram-no a ultrapassar as dificuldades e a estar ali sentado, de consciência tranquila e pronto para o descanso.

Pois...

...o jovem com o sangue a ferver nas suas veias, esbracejava e debitava as suas ideias e os seus “quereres” e dizia que os seus dias futuros iriam ser de glória, de Paz e cheio de coisas boas.

Pois...
...o idoso agarrava a energia do mais novo para ter mais uns momentos de felicidade e lembrava-se que também já foi assim. O jovem, não escondendo toda a sua rebeldia e vontade de um futuro diferente, sorvia os ensinamentos do idoso, atentamente...

Pois...

...estava ali a vê-los falar, a pensar no passado a olhar o futuro, quando deram por terminada a sua conversa pois tinham de se ir preparar para “um momento” em que se voltariam a encontrar.
Marcaram encontro para a meia-noite do dia 31 de dezembro de 2010 e despediram-se:

- Tchau Ano Velho

- Até já Ano Novo.
Pois...
...UM FABULOSO 2011 PARA TODOS!!!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

CARTA DO PAI NATAL

Olá José!

Espero que estejas bem e já perfeitamente enquadrado no espírito Natalício.

Este ano não tem sido fácil…foi começar o planeamento logo no dia 1 de Janeiro de 2010…nem férias gozei mas também, com a minha idade já devia era estar reformado…o problema é que vocês aí não param de mandar cartas, e-mails, sms, mms e mais não sei quantas coisas a fazer pedidos.

Ainda sugeri alguns nomes para me substituírem mas aqui o conselho das coelhinhas…uops, velhinhas queria eu dizer, não aprovou nenhum:

- O Obama porque ainda tem muito que fazer por aí...

- O Sarkozy porque, o coitado, ainda está a fazer por crescer (confidência…pediu-me uns sapatos com 15 cm de salto…sem se notar HOHOHO)...

- O Berlusconi porque ainda tem “muitas” para fazer...

- O Cristiano Ronaldo porque ainda não sabe bem com quem há-de fazer…

Em desespero de causa ainda propus o Sócrates mas esse foi vetado porque ainda não sabe o que anda a fazer por aí!!!

Assim sendo, cá continuo com esta barba e sempre vestido de pijama vermelho.

Pensei vestir umas ceroulas justas, tipo Super-Homem, mas esta minha barriga e os “tintins” descaídos davam um aspecto pouco próprio para a época.

Olha mas verdade, verdade é que não foi fácil andar nas compras para satisfazer os pedidos. Sabes que até me pediram um FMI? Como não sei o que é isso, arranjei um Passos “oposicional”, enviei em antecipação e parece que ficaram contentes…até quando!!!

Bom mas isso não interessa nada!

Arranja mas é um bom vinho, pode ser mesmo um Quinta das Bajancas ou Monte da Peceguina.

Não me ponhas à frente é o que me deste o ano passado…fez-me cá uma azia…ok sei que bebemos muito e por isso levei 15 dias a chegar à Laponia…

Ah…tenho saudade de uns torresmos, arranjas?

Este ano, quando chegar toco à campainha…é que o ano passado tinhas o exaustor todo sujo e sinceramente, quem me tira a chaminé tira-me tudo!!!

Já agora, como tens muito jeito para essas modernices, avisa aí os teus Amigos desse tal de “face” que vou passar lá por casa deles…não sei bem a que horas, se o vinho for bom!!!

Provavelmente estarão a dormir quando eu passar, por isso deseja-lhes um…

*****F E L I Z N A T A L*****

Bem, vou-me vestir e dar ração às renas para me pôr a andar que já tou atrasado.

Até!

Pai Natal

PS: A Mãe Natal este ano vai ficar em casa dos Pais dela enquanto eu distribuo as prendas…vê lá se convidas aquelas “anjinhas” que conhecemos o ano passado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

!!!

Pais...Filhos...Avós...

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos.
É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados.
Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridência alegre e,às vezes, com alardeada arrogância.Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente. Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?
Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do Maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil.
E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça! Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos,soltos.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros.
Ali estamos, com os cabelos esbranquiçados. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas.
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.
Principalmente com os erros que esperamos que não repitam.
Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres, agendas coloridas e discos insurdecedores. Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao Shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e  amiguinhos.
Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.
Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes". Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível. O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos.
O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.
Aprendemos a ser filhos depois que somos pais.
Só aprendemos a ser pais depois que somos avós..."

Affonso Romano de Sant'Anna

Aaahhh...este Povo!

Um dia, se apanho este povo a jeito, nem sei o que lhe faço, tal é a forma como ele nos trata


Meus caros concidadãos republicanos, portuguesas e portugueses, tenho a confessar-vos que, apesar da enorme estima e mesmo carinho que individualmente sinto por cada um de vós, odeio o povo! Não posso com o povo! Quero, até, que o povo vá morrer longe! De facto, se cada um de nós perguntar a si mesmo quem tem vindo, paulatinamente, a dar cabo deste país, a única resposta que obtemos, com a segurança de um facto ou com a lógica de uma equação matemática, é esta: é o povo que nos tem vindo a fazer a vida negra e desesperada...


Hoje discutimos quem tem razão em qualquer dos assuntos que abordamos. Dos mais importantes, como o que opõe o senhor Carlos Queiroz ao senhor Laurentino Dias, como aos mais insignificantes, como o que opõe o senhor Sócrates ao senhor Passos Coelho. Cada um tem as suas preferências, como é próprio de uma república democrática; cada qual defende as suas opiniões, mas apenas uma coisa é certa: o povo tem culpa!

Vejamos: Quem elegeu Cavaco? O povo!
Quem elegeu José Sócrates? O povo!
Quem quer dar o poder a Passos Coelho? O povo!
Quem quer que Sócrates lá fique? O povo!
Quem enche os estádios de futebol a chamar nomes a uns e a outros? O povo!
Quem aceita pacificamente a taxa de desemprego, a taxa do IRS, a taxa municipal e até a taxa da RTP, sem protesto? O povo!
O povo, deixem que vos diga, é uma besta quadrada. O povo quer uma coisa e o seu contrário, nunca está de acordo com qualquer medida e é muito irritante quando faz greve ou nas alturas em que enche as praias de gente e as estradas de carros. O povo suja as ruas, trata mal os empregados de café, enche os autocarros e o metropolitano, não para nas passadeiras, cospe no chão, é malcriado.
Há quem diga que, apesar de tudo, o povo é feliz, amigo, hospitaleiro... Não sei... O povo pode ser tudo. O povo é uma linha que vai da melguice de um emplastro atrás da personalidade que está a ser entrevistada na televisão, até à melguice do senhor Duque de Bragança e putativa Alteza Real, passando por coisas tão más como os discursos do senhor Ricardo Rodrigues no Parlamento ou os juristas que fizeram o projeto de revisão do PSD.
Não fosse o povo, o país estava muito melhor. O povo não trabalha ou trabalha e ganha pouco. O povo endivida-se, o povo não quer pagar autoestradas, o povo quer entrar nas universidades sem fazer o liceu, o povo quer um orçamento, mas não quer que o orçamento seja aprovado, o povo, enfim, meus caros concidadãos, atrapalha!
É esta a verdade: O povo atrapalha!

Proponho, por isso, que a nossa República deixe de ter povo. Façamo-nos espanhóis, italianos, franceses, alemães ou dinamarqueses, de tal forma que voltemos a dar bom nome ao país. Portugal tem paisagens fantásticas, praias magníficas, monumentos interessantes, clima extraordinário, infraestruturas importantes, serviços bastante aceitáveis... Portugal é, enfim, um magnífico lugar. Quem dá cabo disto é o povo, os portugueses. Imaginem este sítio sem cada um de nós - só com tipos decentes...
Ah, que maravilhoso rincão seria! Um exemplo para o mundo, um farol da civilização. Se dizem que a República se fez em nome do povo, façam-na em nome de outra coisa qualquer. Por mim, estou disposto a ser croata...

Comendador Marques de Correia
Texto publicado na edição da Única de 2 de outubro de 2010